Estudo aponta que caixas de papelão e sacolas de pano usadas são mais vulneráveis à contaminação
A comparação entre três tipos de embalagens disponíveis no comércio varejista constata que sacolas plásticas possuem menor risco de contaminar alimentos
Dezembro de 2011 - Um estudo realizado pela Microbiotécnica, empresa especializada em higiene ambiental com 25 anos de experiência, apontou que as caixas de papelão usadas, disponibilizadas pelos supermercados, e as sacolas de pano, trazidas de casa pelo consumidor, possuem alto grau de contaminação podendo prejudicar a saúde da população.
A análise comprovou que, em relação às sacolas plásticas, ambas as opções apresentam maior carga microbiana – as caixas de papelão cerca de oito vezes mais para bactérias e 12 vezes mais para fungos, e as sacolas de pano possuem risco quatro vezes superior para bactérias e cinco vezes para fungos.
Nas sacolas plásticas não foi encontrada a presença de coliformes totais, coliformes fecais nem E.coli (Escherichia coli), enquanto em 58% das sacolas de pano havia a presença de coliformes totais. Já nas amostras de caixa de papelão, 80% apresentavam coliformes totais, 62% coliformes fecais e 56% E.coli (confira quadro abaixo).
“É importante que o consumidor tenha a informação adequada para escolher a melhor embalagem para transportar as compras, especialmente alimentos, preservando a saúde de sua família”, afirma Miguel Bahiense, presidente da Plastivida - Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos.
Metodologia - O campo de estudo abrangeu supermercados de todas as regiões da cidade de São Paulo com a seguinte sistemática: O Bureau Veritas coletou 50 amostras de cada tipo de embalagens (sacolas plásticas, caixas de papelão usadas e sacolas de pano). As sacolas de pano foram obtidas junto aos consumidores para garantir que já tinham sido utilizadas. As amostras de sacolas plásticas e caixas de papelão usadas foram coletadas nos caixas, onde ficam à disposição dos consumidores, e encaminhadas ao laboratório para análise.
Médias finais:
| SACOLAS PLÁSTICAS |
| UFC/cm2 |
| Bactérias totais |
Coliformes totais |
Coliformes fecais |
E.col |
Bolores e Levedura |
| 3,54 |
ND |
ND |
ND |
ND |
| CAIXAS DE PAPELÃO |
| UFC/cm2 |
| Bactérias totais |
Coliformes totais |
Coliformes fecais |
E.col |
Bolores e Levedura |
| 29,56 |
11,16 |
7,35 |
6,4 |
15,5 |
| SACOLAS DE PANO |
| UFC/cm2 |
| Bactérias totais |
Coliformes totais |
Coliformes fecais |
E.col |
Bolores e Levedura |
| 13,08 |
4,36 |
ND |
ND |
7,5 |
Veja o estudo completo no link:
http://www.plastivida.com.br/2009/pdfs/posicionamento-estudos/EstudoMicrobiologico.pdf
Glossário:
BACTÉRIAS TOTAIS: a contagem total de aeróbios mesófilos em placas, também denominada Contagem Padrão em placas, é o método mais utilizado como indicador geral de populações bacteriana em alimentos. Não diferencia tipos de bactérias, sendo utilizado para se obter informações gerais sobre a qualidade de produtos, práticas de manufatura, matérias primas utilizadas, condições de processamento, manipulação e vida de prateleira. Todas as bactérias patogênicas de origem alimentar são mesófilas. Portanto, uma alta contagem de mesófilos, que crescem à mesma temperatura da do corpo humano, significa que houve condições para que esses patógenos se multiplicassem.
COLIFORMES TOTAIS: neste grupo se encontram apenas as enterobactérias capazes de fermentar a lactose com produção de gás, em 24 a 48 horas a 35º C. Mais de 20 espécies se encaixam nessa definição, dentre as quais encontrando-se tanto bactérias originárias do trato gastrintestinal de humanos e outros animais de sangue quente (Escherichia coli) como também bactérias não entéricas (espécies de Citrobacter, Enterobacter, Klebsiella e Serratia, dentre outras). Os coliformes totais podem ocorrer naturalmente no solo, na água e em plantas (OMS, 1995).
COLIFORMES FECAIS (TERMOTOLERANTES): este grupo é um subgrupo dos coliformes totais restrito a membros capazes de fermentar a lactose em 24 horas a 44,5-45,5ºC com produção de gás. Inclui as enterobactérias originadas do trato gastrinstestinal (E.coli) e também membros de origem não fecal (várias cepas de Klebsiella pneumoniae, Enterobactyer agglomerans, Enterobacter aerogens, Enterobacter cloacae e Citrobacter freundii), originárias de solo e outros habitats.
ESCHERICHIA COLI: Está incluída tanto no grupo dos coliformes totais quando dos coliformes termotolerantes. Seu habitat natural é o trato intestinal de animais de sangue quente. É considerada indicador de contaminação fecal em alimentos in natura.
BOLORES E LEVEDURAS: Constitui um grupo grande de microrganismos, a maioria originada do solo ou do ar. Podem ser deteriorantes de alimentos e algumas espécies de bolores quando em substrato e condições adequadas podem produzir durante o crescimento metabólitos tóxicos conhecidos como micotoxinas. Essas micotoxinas têm potencial cancerígeno reconhecido para animais.
Bibliografia: Silva, N. et al. – MANUAL DE MÉTODOS DE ANÁLISE MICROBIOLÓGICA DE ALIMENTOS – 3 ed. – São Paulo: Livraria Varela, 2007, 552p
American Public Health Association (APHA) – 4ª Edição do Compendium of Methods for Microbiological Examination of Foods
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